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Confira a entrevista com Letícia Figueiredo

Confira a entrevista com Letícia Figueiredo

Conheça um pouco sobre a trajetória e história da integrante das Hi Hat Girls

Com uma experiente carreira já construída, Letícia entrou para valer no mundo da música aos 13 anos, data em que começou a tocar bateria e formou sua primeira banda. A partir daí, se envolveu com o mundo musical e teve participações em bandas e eventos.

Perfil e participações importantes

Nascida na capital de São Paulo, Letícia descobriu a música ainda jovem quando tinha 09 anos de idade. Enquanto participava de um grupo de capoeira comunitária, se envolveu e encantou-se com os tambores de percussão da capoeira, o que despertou sua paixão pela música.

Aos 13 anos já formara sua primeira banda com o colega de escola e começara a tocar a primeira bateria de forma autodidata.

Desde daí, foi conquistando seu lugar na música, com participações em bandas diferentes, e formou uma carreira dinâmica e enriquecedora, com destaque para a participação na banda “Bioma”. De estilo punk/hardcore, a banda de rock tem uma pegada ativista e conta com a participação de Letícia na bateria. Com um status notório no cenário musical, Bioma já tem seu próprio vídeo clipe lançado com milhares de visualizações, intitulado de “Cidade Perdida”, seu próprio álbum em formato digital com milhares de reproduções, e participações em eventos como “Lado Punk Abc” que reuniu em torno de mil pessoas na região do abc paulista.

Além da experiência musical, Letícia possui experiência em sua vida que vai além da música, pois há mais de 10 anos, a baterista trabalha com edição de livros didáticos, trabalho que tem muita importância na vida dos livros e dos leitores porque consiste no aprimoramento da linguagem e verificação de conteúdo, auxiliando e contribuindo para fazer a ponte entre editora de livros e autor.

Confira a entrevista completa com a Letícia Figueiredo

  1. Conta para a gente, quando você começou a tocar bateria?

 

R: Sempre morei na periferia de São Paulo, zona norte. Meu primeiro contato com instrumentos de percussão foi na capoeira comunitária do meu bairro, quando eu tinha 9 anos. E gostava muito! Costumava dizer que os tambores graves chacoalhavam meu estômago e era uma sensação fabulosa! Comecei a tocar bateria aos 13 anos quando um amigo da escola me chamou para montar uma banda. Ele tocava guitarra e tinha uma bateria incompleta: eram apenas os tons, o surdo e o bumbo. Ele pegava as tampas de panela de alumínio da mãe e usava como pratos. Era uma barulheira doida. Além disso, a gente afinava o tom 1 bem agudo para imitar o som da caixa. Claro que não dava certo. (risos) Mas foi assim que aprendi quais eram as peças da bateria e o som de cada uma.

Eu assistia bastante clipe na MTV e sempre ficava fascinada pelos bateristas e pelos percussionistas! Assim, de assistir, também aprendi como fazia a “batida” de algumas músicas. A banda foi indo para a frente com sons autorais puxados pro metal e alguns covers de bandas como Alice in Chains, Type o Negative, Black Sabbath. Em casa nunca tivemos muitas condições financeiras. Minha mãe cuidou sozinha de 3 filhas. E aí, quando eu estava com 14 anos, já trabalhava para ajudar em casa. A banda, que era formada por 4 pessoas, resolveu comprar uma bateria nova e dividir o valor entre todos. Assim a gente o fez, parcelando em 10 vezes. Nunca me esquecerei desse gesto dos meus amigos! Graças a eles, pude me dedicar mais ao instrumento.

Então, a gente ensaiava em casa e começou a fazer show em pequenos festivais:

  • Em 2004, gravamos nossa demo — Knights of Requiem.
  • Em 2006, comecei a tocar em uma segunda banda — Bahoc, de death metal.
  • Em 2008, Bahoc gravou demo.

Até então, a gente tocava quase todos os fins de semana em pequenos festivais de metal e gothic. Quase nunca via mulheres instrumentistas na formação das bandas. A maioria era vocalista. Até aí, não havia conhecido pessoalmente nenhuma mulher baterista.

    

 

  • Em 2009, entrei na faculdade de Letras, e meus colegas de banda também estavam nesse mesmo caminho acadêmico. Por isso, demos uma pausa com as bandas e precisamos vender a bateria. Até 2014, me dediquei à minha formação acadêmica.
  • Em 2016 comprei uma bateria eletrônica para treinar um pouco e voltar com as bandas. Neste mesmo ano, comecei a procurar bandas de metal com mulheres formação. E aí, conheci a Mortarium, banda da Julie Sousa. Foi por meio das publicações da Julie que conheci a Hi Hat Girls Magazine.

No mesmo ano, houve a primeira festa da Hi Hat, e foi pertinho da minha casa, no Centro Cultural da Juventude – CCJ. Aí também conheci a Lary Durante, a Paula Padovani, a Jully Lee e mais um monte de mulheres maravilhosas. E fiquei tão tão tão tão feliz de ver tantas mulheres bateristas! Como disse, até então, eu não tinha contato com nenhuma.

Foi lindo ver tanta mulher ali tocando! Representatividade importa muito! Chorei de emoção.

  1. Quem são suas inspirações na batera?

 

R: São muitas, de diversas vertentes da música. As mulheres bateristas que via na TV foram minhas primeiras inspirações: Cindy Blackman, que tocava com o Lenny Kravitz, Patty Schemel do Hole e Demetra Plakas do L7. Depois do YouTube, conheci a Vera Figueiredo, a Lilian Carmona, a Nina Pará, a Fernanda Terra, a Venzella Joy (baterista da Beyoncé), a Pitchu Ferraz, a Silvanny Sivuca. Além dos bateristas homens de muitas bandas que eu gosto: Martin Lopez (Opeth), Dave Lombardo, Max Kolesne (Krisiun), Jonathan Moffett (Michael Jackson), Stevie Wonder, Mari Crestanni.

Agora, tocando no underground, tenho contato de perto com muitas mulheres bateristas, e diversas delas tocaram meu coração e se tornaram referência pra mim: a Julie Sousa, a Lary Durante, a Cynthia Tsai, a Lorena Martins, a Hele Krau (Anti-Corpos, Eat my Fear), a Debby Mota (Klitoris Kaos), Miriam Momesso (Eskröta), Roberta Bergami (Hayz).

  1. Quando você entrou no Hi Hat? E como foi?

 

R: Depois do CCJ, Julie e Lary foram um encontro de muitas boas energias comigo! <3

Em 2017, fiz uma viagem de férias ao Rio de Janeiro e, em um dos dias, encontrei a Julie. Conversamos bastante e ela disse que seria muito legal se eu topasse colaborar com a Hi Hat em São Paulo, junto da Lary Durante. Senti um frio na barriga, topei na hora e fiquei muito feliz! Veio aquele quentinho no coração ao pensar que eu teria contato de perto com as oficinas!

A primeira oficina de que participei foi no Baderna Bar, e lá estavam Lary, Julie Sousa, e Jully Lee! Foi lindo de ver! Depois, a oficina mudou para o Espaço Som, em Pinheiros, e pudemos receber muuuuuitas garotas nesse novo espaço. 

  1. Como você se sente após cada Oficina ministrada?

 

R: Eu fico bastante emocionada, maravilhada e feliz, muito feliz! Cada participante se apresenta nas oficinas, contando um pouco de sua vida. Então, temos contato com diversas histórias: de mulheres mais velhas que nunca tiveram oportunidade encostar numa bateria por várias razões – sem condição financeira, ou o pai achava que era instrumento de homem etc. –, e de meninas que têm muita vontade de aprender bateria, mas que não têm oportunidade… Muitas acham que não são capazes! Aqui penso que é uma questão de machismo estrutural. A gente, mulher, aprende desde criança que não podemos fazer certas coisas, que não somos capazes de tal. Mas somos capazes de tudo! A gente tem noção de que a luta contra o machismo é enorme. Mas a Hi Hat está aí plantando sementinhas e contribuindo um tantão para que as mulheres comecem a entender que podem!

No final de cada oficina, TODAS aprenderam um bocado e tocam uma música. Ver o êxtase nelas, quase pulando de felicidade, é muito bonito!

No fim, sempre vou embora desejando de coração que elas sigam insistindo nessa vontade, que elas formem bandas! Desejo que as Letícias de hoje, com 13 anos aprendendo bateria, tenham muita representatividade! Que elas vejam que é possível sim mulher tocar qualquer instrumento!

  1. Você tem uma banda? Se sim, conta para a gente um pouquinho sobre ela!

 

R: Sim, tenho! São três, a primeira é a Bioma (@biomaqueer), banda de queercore feminista formada em 2017, que surgiu a partir do encontro de mulheres da cidade de São Paulo com discurso feminista e posicionamento libertário, anti-racista, anti-LGBTfóbico e anti-CIStêmico.

Foto por: Juliana Marotta

Mayra Andrade (Guitarra), Natália Pinheiro (vocal), Letícia Figueiredo (bateria) e Júlia Kaffka (baixo)

Em 2018, lançamos uma demo no Bandcamp. Fizemos shows em diversas cidades do estado de São Paulo, nos apresentamos ao lado de bandas como Anti-corpos, Dominatrix, As mercenárias, e saímos na Punkulture, vol. 5, um grande zine + CD impresso, na França.

Em abril de 2020, lançamos nosso primeiro videoclipe, do single “Cidade Perdida”.

Em 1º de maio de 2020, lançamos em todas as plataformas digitais nosso primeiro full álbum, com 11 músicas. As mídias físicas no Brasil ficaram por conta dos selos Läja Records, Efusiva, Oxenti Records, Vertigem discos e Howlin Records; fizemos também uma tiragem de K7 aqui no Brasil com a Carniça Distro, em Londres com a Industrial Coast, e em Berlim com a Goodthing Distro. Tivemos uma excelente receptividade, saímos em diversos blogs, como Nada Pop, União das mulheres do underground, Raro zine etc.

 

A segunda banda é a Kultist (@kultistband), banda Formada em 2017 que tem origem de São Paulo e São Carlos, cujos integrantes são alguns nomes já conhecidos do underground brasileiro: Yasmin Amaral (Eskröta), Karine Campanille (Mau Sangue, V.I.F., Carnal Atrocity), Daniel Pacheco (ex-Cursed Slaughter, Re-animation) e Letícia Figueiredo (Bioma). Fazemos um dark metal sem muito rótulo, cuja temática é inspirada nas histórias e nos contos de H.P. Lovecraft, autor considerado o pai do horror moderno, com histórias sobre terror cósmico e entidades mais velhas que o tempo. A Kultist transforma o terror de H.P. Lovecraft em letras e riffs sombrios.

Foto por Ellen Finta

Em 2019, lançamos nosso primeiro álbum completo, “The Black Goat”, com 8 músicas. Voamos sobre as montanhas da loucura mais altas e passamos por sonhos obscuros com criaturas inomináveis para compor esse disco. O álbum conta as histórias das páginas esquecidas do Necronomicon, fundadas nas ruínas da Universidade Miskatonic, em Arkaham, Massachusetts. Não podemos garantir sua sanidade, portanto, ouça-a com cuidado por seu próprio risco. 😊

A arte do disco ficou por conta do Wendell Narkdemi, um artista fantástico!

Também tivemos uma excelente receptividade e saímos em diversos blogs especializados. Durante esse período, fizemos diversos shows em algumas cidades do estado de São Paulo.

 

  • Facebook: www.facebook.com/kultistband/
  • Instagram: @kultistband
  • Bandcamp: https: //kultistband.bandcamp.com/
  • Spotify: https://spoti.fi/2JilRkF

E a terceira banda é a Messias Empalado (@messiasempalado). Motivadas pelo crescimento do conservadorismo, reacionarismo, fundamentalismo religioso que usa a comunidade LGBTQIA+ como bode expiatório, como exemplo de tudo que existe de pior no mundo, a Messias Empalado se formou no ano de 2017, em São Paulo. A banda conta com integrantes LGBTQ+ e tem um discurso anti-cristão, anti-fundamentalismo religioso e contra toda opressão social. Nosso som é bem criativo e singular, mistura diversas influências e estilos, passando pelo Post-Punk, Dark Wave, Goth, Punk industrial, EBM, entre outros, com letras políticas que falam diretamente com a comunidade LGBTQI+. É pra dançar blasfemando!

Karine Campanille (voz e teclado), Vee Wayward (vocal), Gustavo Knup (baixo e vocal), Letícia Figueiredo (bateria)

 

Em 2018 lançamos no Bandcamp nossa primeira demo, com duas músicas.

Em fevereiro de 2020, lançamos nosso primeiro full, “O evangelio dos tempos de ódio”, com 8 músicas. Totalmente D.I.Y, o CD foi mixado e masterizado pela Karine Campanille

 

Facebook: facebook.com/messiasempalado/

Instagram: instagram.com/messiasempalado/

Spotify: https://open.spotify.com/album/7v3whd4WcQq4WLQFaR9Gyl

Bandcamp: https://messiasempalado.bandcamp.com

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